A mentira

Existe um período do desenvolvimento humano, entre os 3 e os 7 anos de idade, que a confusão entre a fantasia e a realidade é normal. Na maioria das vezes, a “imaginação fértil” das crianças indica um crescimento saudável.

Quando a criança conta uma fantasia, uma coisa não verdadeira, mas gratuita que não perturba nem protege ninguém, isto é uma simples invenção. Só exige a atenção dos pais e o combate as mentiras, quando elas tiverem o objetivo claro de fugir da responsabilidade e de não enfrentar certas situações.

Muitas vezes as crianças mentem de propósito, com o objetivo de prejudicar alguém, especialmente se estão vivendo um momento difícil, como a separação dos pais. Podem, por exemplo, inventar que a nova namorada do pai brigou com elas, só para provocar a reação dele – uma tentativa ingênua de vê-los juntos novamente. A principal dificuldade é identificar quando estão dando asas à imaginação. O melhor é ouvir a história e depois de algum tempo pedir que a criança conte novamente como tudo aconteceu e comparar as versões.
Numa idade mais avançada, ali pelos 10 anos, o emprego bastante freqüente de histórias fantasiosas, entretanto, pode revelar um problema sério a ser diagnosticado como “mitomania”, tendência doentia a mentir. Um dos indícios é a permanência do “amigo imaginário”, uma criação típica da faixa pré-escolar que tende a desaparecer com o convívio com outras crianças..
Já os adultos, utilizam mecanismos sofisticados da inteligência, para tentar esconder aquele traço da personalidade que não os agrada. Muitos mentem para não parecer frágeis e inferiores diante daqueles que julgam fortes, para impressionar com aquele jeito fingido de ser – mas que parece verdadeiro. Desejam evitar um conflito, por acreditar que serão desaprovados ,ou simplesmente para evitar comentários e serem deixados em paz. Essa é a mentira defensiva , que serve de armadura contra a ridicularização, as críticas e o julgamento alheio.
Torna-se uma mentira perversa quando é premeditada para prejudicar outras pessoas, com intenção de tirar proveito de uma situação, e/ou, uma forma de não assumir a responsabilidade dos seus atos. Em ambos os casos, existe um elemento em comum: muito medo diante da rejeição do outro. Havendo continuidade desse comportamento, deve-se iniciar um tratamento psicológico.

Como agir com a mentira infantil?
Não chame a criança de mentirosa. Isso só reforça uma imagem negativa e a continuidade do comportamento inadequado.
Explique com calma as conseqüências negativas de uma mentira com exemplos práticos. Se prejudica alguém deixe claro porque é errado fazer isso e se ela gostaria que alguém agisse assim com ela.
Não grite com a criança para obrigá-la a dizer a verdade. Isso só a intimida mais.
Se suspeitar que a criança está mentindo faça perguntas genéricas. Como foi o passeio? Estava bom na escola? Depois de algum tempo volte a fazer as perguntas e compare as respostas.
Castigá-la duramente não é a melhor tática. Só fará com que minta mais para fugir da punição. Sua reação deve ser firme mas controlada, sem agressividade.
O exemplo dos pais é fundamental. Nada de mentirinhas úteis: “’Diga que a mamãe não está . Fale que estou tomando banho”. Não minta e nem peça para seu filho mentir.