Convivendo com o inimigo

Quantas vezes você conviveu com uma pessoa aparentemente gentil e simpática mas que não hesitava mentir sem qualquer constrangimento, descartar pessoas quando estas não fazem mais parte dos seus interesses, negligenciar sua família e parentes, colocando em risco sua vida e a de outras pessoas com o único propósito de atingir seus objetivos para satisfazer suas necessidade?

Provavelmente você esteve próximo a um psicopata. A palavra é de origem grega: “psyché” – alma e “path” – sofrimento, no entanto o psicopata não sente culpa ou arrependimento pelo seu comportamento antissocial, pelo contrário, é muito perverso e não leva em conta o sofrimento alheio utilizando intimidação e se necessário violência, para controlar os outros e satisfazer os seus desejos. Às vezes, ao lado de uma aparência fria e distante, manifesta episódios teatrais de afetividade, que nada mais são que pequenas exibições de falsa emotividade. Dificilmente aprende com seus erros já que não admite suas falhas porque sempre utiliza desculpas para esses erros, responsabilizando terceiros pelas consequências negativas dos seus atos. Com frequência é egocêntrico (coloca-se no centro do mundo) , irresponsável, desonesto, controla muito mal seus impulsos, não lida bem com a frustração , não consegue se submeter às regras sociais violando as normas sem o menor senso de culpa; é insensível, incapaz de manter uma relação e amar, pois detesta compromissos, exceção quando os laços afetivos são apenas por puro interesse.

Quando percebe que seu comportamento não é tolerado, procura mudar de atitude para disfarçar suas características de personalidade, mas isso não significa que se modificou, apenas alterou sua estratégia para conseguir manipular melhor suas vítimas.

O distúrbio começa na infância ou na adolescência e pode ser observado precocemente através das tendências de comportamentos indicativos da patologia, como: crueldade com animais e seres humanos; desafio a autoridade dos pais e professores; agressão aos colegas da escola e aparente indiferença à punição dos pais.

Existem pesquisas que demonstram através das imagens de ressonância magnética, que no lobo pré-frontal, responsável pelos aspectos cognitivos há maior atividade cerebral e diminuição da ativação das áreas relacionadas as emoções morais, em outras palavras, há uma prevalência da razão sobre as emoções morais, o que explicaria a falta de ausência do sentimento de culpa diante dos seus interesses escusos.

Diante de um psicopata todo cuidado é pouco, portanto o melhor é buscar tratamento psiquiátrico e orientação profissional de um psicólogo para saber como agir diante das situações de risco que esse indivíduo expõe toda a sociedade.