Geração Canguru

1 – Um em cada quatro jovens de 25 a 34anos vive com a família. Em sua opinião, os brasileiros estão adiando cada vez mais a saída da casa dos pais? Por quê?
Sim. Os jovens brasileiros estão optando em permanecer mais tempo na casa dos pais, por vários motivos:; comodidade de não executar as tarefas da casa, já que serão realizadas pelos pais; questões financeiras: não tem possibilidade de se auto sustentar ou investem seu dinheiro em cursos que os requalifiquem para outras vagas; mais dinheiro para a diversão; conforto emocional de ter sempre alguém que os proteja e resolva seus problemas desemprego; medo da solidão ; falta de perspectiva, e etc. Existe também a questão dos próprios pais, que na maioria das vezes ,não deseja que os filhos passem pelas suas dificuldades. Querem proporcionar tudo o que não tiveram. Alguns desejam manter a sensação de serem necessários e importantes para este filho (“Síndrome do Ninho Vazio”), ou atravessam crises no relacionamento e tem dificuldade de enfrentar o envelhecimento.

2 – Existe a hora certa para sair da casa dos pais?
Ao final do ensino médio, o jovem já deveria estar preparado para se responsabilizar pela sua vida e buscar a sua independência econômica e autonomia.
Sabemos que cada pessoa tem seu tempo para atingir a maturidade, porém, via de regra, a mulher sente mais precocemente a necessidade de sair de casa, talvez buscando mais liberdade e controle da sua vida. O homem tem mais facilidade de desprender-se do domínio dos pais, mesmo estando na casa deles.
Mas, para essa decisão ser mais bem sucedida há necessidade de alguns requisitos básicos:
Que o motivo da saída não seja um conflito com os familiares, e sim, uma oportunidade de crescimento.
Que haja a mínima possibilidade financeira de auto-sustento, para pagar as contas.
Que exista capacidade e humildade para se adaptar as situações e não ter a imaturidade de acreditar que “são as pessoas que devem mudar”.
Que apresente o mínimo de organização para manter as suas tarefas em dia e demonstre responsabilidade financeira para administrar as despesas.

3 – Na notícia, os pais reclamavam que o filho não trabalhava, nem ajudava, certo? Isso é muito comum?
Infelizmente é cada vez, mais comum. Sabemos que existe o período de oposição da fase da adolescência, mas, atualmente observa-se uma geração que não demonstra interesse em assumir as responsabilidades da sua vida. Estão vivendo o mundo virtual das redes sociais; do imediatismo que gera uma incapacidade de lidar com as frustrações, e se recusam a enfrentar as experiências da realidade. Mantêm-se imaturos, pois se negam a passar pelas fases necessárias ao aprendizado: realizar, cometer erros e aprender com eles, vencendo as dificuldades. Tendo obrigações diárias a resolver e administrando seu tempo para isso.
Tem a falsa ilusão que são especiais, e não devem executar trabalhos braçais. Não percebem que são as tarefas mais simples que ensinam a realizar o desafio maior, que é viver bem em sociedade. A autoestima se forma graças aos resultados das nossas ações, que demonstram se estamos sendo competentes para superar as dificuldades do dia a dia. Esses jovens esperam que os outros ajam com a mesma paciência e presteza que seus pais, realizando as suas vontades . Então, se frustram porque percebem que a reação das pessoas não é compatível com o que estavam acostumados. Que as coisas não são tão fáceis como esperam e sofrem a uma grande decepção.

4 – Essa é a geração canguru?
Sim. Filhos adultos que estão esperando melhores oportunidades para saírem da casa dos pais. Na maioria das vezes mantém esta condição mais por comodidade , e/ou para ter mais renda para atingir mais rapidamente seus objetivos.

5 – Em sua visão, os jovens estão acomodados e preferem o conforto a independência?
Sim. Estão mais acomodados, pois tem suas necessidades satisfeitas sem grandes esforços. Ser independente dá trabalho. Exige sacrifício, perseverança, resiliência, empenho, força e deve haver o treino diário no exercício das responsabilidades. É bem mais fácil esperar que o outro seja provedor, e encarregado de realizar o trabalho árduo.

6 – Quais os problemas desse cenário?
O filho, mesmo adulto, não estará preparado para suportar os revezes da vida e sofrerá até aprender a ser autônomo. Há possibilidade de perder grandes oportunidades de trabalho, pois não irá se adaptar as condições necessárias ao sucesso, como a realização dos prazos e tarefas exigidas.
Provavelmente terá dificuldade em seguir ordens, respeitar hierarquia, trabalhar em grupo. Tenderá a apresentar ausência de comprometimento, que irá prejudicá-lo no desenvolvimento e manutenção do seu trabalho.
Poderá ter graves problemas financeiros, por não saber poupar e aguardar o momento certo para adquirir o que deseja.
Emocionalmente, é provável que apresente intolerância a opiniões divergentes, gerando conflito de interesses e perdendo muitos amigos e amores em decorrência de posições mais egocêntricas.
Aos pais, haverá a preocupação e o prejuízo de sempre ter de cuidar desse filho dependente.

7 – Observações finais:
O grande papel dos pais é preparar os filhos para a vida, tornando-se desnecessários. Então: Não realize por ele o que ele é capaz de fazer.
Requisite que ele faça as tarefas do lar. Divida as funções.
Peça sempre a colaboração e se for necessário, exija.
Permita que ele contribua financeira com alguma conta na casa.
O seu filho deve ser treinado para enfrentar as pressões da vida. Dê apoio, deixe-o na realização. Este é um treino para os desafios da vida
Mostre que o ama orientado, mas deixando com que ele solucione seus problemas. Pode sugerir o caminho, mas deixe-o construí-lo.
A supervisão é sua, mas a execução é responsabilidade dele.