Quando os filhos presenciam conflito entre os pais

É no ambiente doméstico que as crianças e adolescentes aprendem a como se relacionar, a lidar com os conflitos e frustrações. Todos sabemos que discutir faz parte da vida, mas de maneira saudável, onde cada pessoa expõe sua opinião sem ofensa, nem agressão.

A atitude de discutir de maneira equilibrada, ensina a criança a argumentar em tom de voz adequado, a ouvir mesmo sem concordar, a respeitar as diferenças de opinião e lidar com elas. As divergências entre os pais são normais. Cada qual teve uma educação diferente e convicções que podem gerar discórdia de condutas. Se houve uma discussão entre o casal na presença do filho, é importante que ele assista aos pais se desculpando, entrando num acordo. Então ele entende que é normal nas relações humanas termos conflitos, mesmo com as pessoas que amamos. É possível divergir, ficar irritado, nervoso, mas, com respeito e sem afetar o amor entre as partes envolvidas. Tente sempre explicar aos filhos que os pais se desentendem, mas que eles não são culpados por essas discussões. Não é saudável que os pais fiquem sem conversar durante dias, devido as mágoas e ressentimentos advindos da discussão entre eles. Além do sofrimento gerado nos filhos que observam essa situação desconfortável, eles irão aprender a se comportar do mesmo modo inadequado: usando o silêncio nocivo para provocar uma punição aquele que divergiu da sua opinião.
Essa atitude distancia o casal e impossibilita uma reconciliação e entendimento. Digo sempre que a pessoa mais equilibrada iniciará o diálogo para a reconciliação, independentemente de quem está certo ou errado.

Relacionamento não é competição, e sim, compreensão.

Lembre-se que muitas questões não devem ser discutidas na frente dos filhos, porque eles podem não estar preparados para entender. Comentários sobre familiares próximos, avós, irmãos, tios, devem ser realizados em separado, afinal os filhos tem vínculos com essas pessoas e podem ficar confusos com aquilo que ouvem tornando-se rebeldes ou arredios. Podem desenvolver sentimentos ambivalentes, de amor e ódio, por pessoas que serão muito importantes para eles no futuro. Não se deve difundir sentimentos negativos. Deixe que o tempo mostre aos filhos a personalidade de cada parente.

Caso esteja com dúvidas a respeito de alguma conduta, converse com seu companheiro(a) longe dos filhos. Se perceber que durante o diálogo o conflito está chegando a um nível insustentável, interrompa imediatamente a discussão dizendo que é melhor retornar ao assunto em outro momento, porque você não quer brigar e se descontrolar. Mas, é fundamental que realmente retorne ao assunto mais tarde, quando os ânimos não estiverem alterados, para encontrar uma forma de resolver a questão.

A criança não deve assistir a discussões em que ela é o alvo da discórdia. Os pais podem divergir dos horários de se alimentar, dormir, tomar banho, jogar vídeo game, usar o cel, enfim, rotinas diárias que podem gerar estresse. Mas, não devem discordar na frente dos filhos. Quando o companheiro estipulou algo que não concorde, não o desautorize imediatamente. Procure chamar em separado o companheiro e explique as suas razões para discordar da atitude tomada. Baseie-se em fatos que demonstrem o prejuízo dessa atitude sem atacar a pessoa que agiu de maneira inadequada, mas, descrevendo onde haverá prejuízos para o filho e como seria melhor a outra opção de conduta. Caso haja o acordo, peça que a própria pessoa comunique aos filhos as mudanças de conduta para que seja mantida a sua autoridade.

Quando a criança percebe que os pais brigam por situações em que ela está envolvida, poderá sentir-se culpada pela briga entre as pessoa que mais ama, tornando-se angustiada, ansiosa e insegura, muitas vezes não sabendo a quem obedecer e o que fazer.

O correto seria que os pais conversassem a sós para entrarem em acordo sobre as questões conflituosas.

A melhor forma de educar é ser o exemplo.

Os pais demonstram no ambiente doméstico, através das suas atitudes, qual a maneira de se resolver os problemas e como agir diante das diferenças de opiniões. Deveriam se treinar para ser o modelo de como se controlar em meio as discórdias, como argumentar de maneira respeitosa, como saber ceder mesmo que estando com a razão, mas percebendo que o momento não é adequado para ao enfrentamento.

Quando os filhos assistem aos conflitos entre os pais, as atitudes podem ser muito prejudiciais ao desenvolvimento das crianças, principalmente quando os pais manifestam violência, tanto física (empurrar, bater, quebrar objetos) , como psíquica (ameaçar, xingar, gritar, ofender, envergonhar o cônjuge).

As pesquisas demonstram que há uma mudança negativa no comportamento deles. Tornam-se mais nervosos, estressados, agressivos. Utilizavam as informações que ouviram durante as brigas, para justificar suas falhas e ações incorretas.

As situações de brigas, discussões, ameaças, constituem uma nefasta violência psicológica, pois o filho fica no cerne da briga entre os pais. O conflito passa a fazer parte do cotidiano desse jovem, prejudicando seu desenvolvimento físico e psíquico. Muitas vezes os pais não tem consciência da gravidade dos efeitos negativos do seu conflito no desenvolvimento do filho.

Essas situações geram neste ser em formação, sentimentos de medo, revolta, raiva, agressividade e repetição das atitudes dos pais. Há uma grande possibilidade de desenvolvimento de transtornos de conduta, depressão, ansiedade, uso de substâncias tóxicas, entre outros.

Caso o conflito esteja sem solução, seria conveniente pedir o auxílio de uma outra pessoa, um profissional como um psicólogo , um médico, um professor, um familiar ,um líder religioso ou um amigo, enfim, alguém que tenha o respeito e seja da confiança de ambos os pais para mediar uma solução.

O importante é perceber a responsabilidade sobre a formação das pessoas mais importantes em nossas vidas: Nossos Filhos.

Comece já a ficar atento a suas respostas, e perceba quais os momentos mais delicados em que a possibilidade de conflito é maior. Mude as atitudes.

Com certeza seu autocontrole lhe fará mais feliz e trará mais felicidade as pessoas ao seu redor.